Recebi uma intimação da polícia para depor: o que fazer e o que não fazer?

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Para a maioria das pessoas, a delegacia é um ambiente conhecido apenas por cenas de filmes e séries. Por isso, encontrar uma intimação para depor na caixa de correio ou ser contatado por um policial, inclusive por WhatsApp, é uma situação que pode assustar qualquer um.

Na mesma hora, o coração acelera e surgem dezenas de perguntas: “Serei preso?”, “Do que estou sendo acusado?”, “Sou obrigado a ir?”.

A primeira coisa que você precisa fazer é: manter a calma! Receber uma intimação não significa, necessariamente, que você cometeu um crime ou que será preso.

Para ajudá-lo a passar por esse momento com segurança e proteger seus direitos, preparamos este guia prático sobre o que fazer e o que não fazer ao ser intimado.

 

O que você DEVE fazer?

 

1º Identifique a sua condição no processo 

Você pode ser intimado a comparecer à delegacia em três condições principais: 

a) testemunha: alguém que presenciou ou tem conhecimento de um fato. Nesse caso, há a obrigação legal de dizer a verdade; 

b) vítima: a pessoa que sofreu o crime e irá relatar o ocorrido; 

c) investigado ou indiciado: quando há suspeita de que você cometeu ou participou de uma infração penal. 

Dica de ouro: Verifique o documento com atenção. Se a intimação não informar claramente a sua condição ou o número do inquérito policial, você tem o direito de obter essa informação antes de prestar qualquer depoimento. 

 

2º Consulte um advogado criminalista antes do depoimento 

O erro de muitos é ir à delegacia às cegas. Um advogado especialista em direito penal poderá ir até a delegacia antes de você para acessar a cópia integral do inquérito e entender exatamente o que está sendo investigado. 

Com base nisso, o profissional poderá orientá-lo sobre como responder e, principalmente, sobre o que não dizer. Além disso, o acompanhamento de advogado na delegacia garante que nenhum dos seus direitos constitucionais seja violado durante o interrogatório. 

 

3º Não esqueça do seu direito ao silêncio na delegacia 

Se você está na condição de investigado, a Constituição Federal garante o seu direito de permanecer calado. Ficar em silêncio não é sinônimo de culpa. Muitas vezes, a melhor estratégia defensiva é não responder às perguntas na delegacia e prestar esclarecimentos apenas em juízo (diante do juiz), depois que a defesa técnica conhecer todas as provas do processo. 

 

O que você NÃO DEVE fazer? 

 

1º Não falte ao depoimento sem uma justificativa válida 

Ignorar uma intimação policial é o pior caminho. Se você for intimado e não comparecer, o delegado de polícia poderá solicitar a sua condução coercitiva (quando a polícia o busca à força para depor) ou indiciá-lo pelo crime de desobediência

Caso você não possa comparecer por um motivo justo (como uma consulta médica ou viagem já agendada), a ausência deve ser formalmente justificada antes da data por meio de uma petição. 

 

2º Jamais vá à delegacia “apenas para conversar” 

Este é o erro mais comum e perigoso de todos. Muitas pessoas pensam: “Como não devo nada, vou lá sozinho e esclareço tudo”

O problema é que a delegacia não é um ambiente para conversas informais; é um local de coleta de provas. Uma palavra dita de forma errada ou uma história mal contada por puro nervosismo pode transformá-lo de simples testemunha em investigado em poucos minutos. 

 

3º Não minta no depoimento nem crie álibis falsos 

A mentira destrói sua credibilidade e pode complicar drasticamente sua situação jurídica, podendo configurar inclusive o crime de falso testemunho (para testemunhas). Se a polícia descobrir a falsidade por meio de câmeras, perícias, documentos ou outras testemunhas, reverter o cenário se tornará muito mais difícil. 

 

Conclusão: Vá preparado e protegido 

Estar diante de uma autoridade policial é uma situação de extrema pressão psicológica. Ir sozinho e despreparado é um risco desnecessário que pode custar sua liberdade, sua reputação ou seu patrimônio. 

Se você recebeu uma intimação, encare a situação com seriedade, mas sem pânico. Busque a ajuda de um advogado criminalista para entender o cenário e garantir que sua versão dos fatos seja apresentada de forma estratégica e segura. 

 

Observação: Este artigo possui finalidade exclusivamente informativa e não substitui uma consulta jurídica formal. Lidar com questões criminais exige análise técnica e estratégica, pois uma orientação inadequada pode trazer riscos. Para uma avaliação detalhada e segura do seu caso, consulte um advogado especialista em Direito Criminal.

Foto de Diogo Miguel Fieker

Diogo Miguel Fieker

Advogado Criminalista

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